01 setembro 2006

Galera! Recebi este e-mail do Tobias e gostaria que vocês deixassem comentários para ajudar a discutir essa questão. O Tobias levantou um ponto que talvez é a maor questão do jornalismo contemporâneo. Quero ver um grande debate sobre isso!
Avante

André


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Mestre, tudo bem? Espero que sim.
Desculpe te perturbar novamente e desculpe por ser chato.
Acontece que esse fato recente do candidato lá de Goiás afirmando que é "dono" do partido me chamou a atenção. É o seguinte, por que é que eu tenho a sensação de que a grande imprensa solta algumas notícias com o prazo de validade vencido? Ou melhor, nós sabemos que existem vários donos de partido, mas só agora apareceu um. Nós sabenos de vários mensalões e sanguessugas, mas só agora estão em evidência.
Será que sofro de necessidade de justiça feita com a caneta ou com o teclado? Esse sentimento de "justiça jornalística" é uma forma infantil de prática jornalística?
A gente lê na imprensa menor (que quase sempre faz um JORNALISMO MAIOR) fatos que só depois de meses vão estar no Estadão ou na Folha. Então como trabalhar a "linearidade" da pauta, como ter um raciocínio de pauteiro em meio a tanta contradição sobre o que é assunto, o que é notícia e que deve ser descartado?
Fico desesperado quando olho para o horizonte e le me aparece cada vez mais amplo, então tem notícia em vários lugares, sob vários ângulos. É uma angústia que parece não ter fim e isso vai se transformando em ansiedade.
É muita informação e não cabe tudo no mesmo espaço da lauda.
Se vc. me entende, será consegue me ajudar a encaminhar alguma resposta?
Abração do pupilo Redomão.
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12 comentários:

Telma Reis disse...


Olá, André! Nessa minha "rotina cibernética", procurando notícias em todos os cantos, já que a TV me cansou há tempos, topei com esse post e li o e-mail do Tobias - ooppsss, do pupilo Redomão, hehehe - e é claro, me meti a besta e resolvi comentar. É claro que não dá pra colocar tudo o que penso num post, mas vou tentar sintetizar minhas idéias a respeito.

A questão levantada por Tobias é ótima pra se discutir, ainda que muitos insistam em não querer por preguiça ou pelo medo de cometerem alguma gafe. Poderiam usar isso pra aprenderem mais e espero que seja assim com a maioria.

Percebo que muitas notícias são "reveladas" de acordo com o que ocorre no momento, por exemplo: foi na época do atentado às Torres Gêmeas que muitas pessoas conheceram, a partir da mídia, a força concentrada dos grupos terroristas. Após alguns meses ainda se falava muito nisso, com uma intensidade de dar nó em ponta de osso. Passaram a divulgar matérias que esclareciam o que era fanatismo, o porquê desse fanatismo e o que isso pode gerar numa sociedade muito pobre, que vive um regime de intensa vigília, etc. Ficou mais claro pra mim, naquela época, o que era um fanático religioso e porquê milhões de pessoas resolvem cometer suicídio em nome de algum Deus.

No caso das eleições, vejo um quadro parecido: acredito que nunca o povo brasileiro recebeu tantas informações ao mesmo tempo sobre política e, infelizmente, a maioria das informações não têm sido boas, independente se são notícias boas ou ruins. A malhação em cima do PT, do Lula, do mensalão, enfim; tudo isso passa a sensação de que o povo se torna mais esperto quando lê ou vê alguma notícia assim. Vi a matéria sobre o "dono" do partido e, sinceramente, nem me movi do sofá. Já imaginava que coisas assim aconteciam, mas jamais vi ou ouvi uma confissão como aquela. Parece-me que tudo é "meio arranjado" e, é claro, como mencionei acima, depende da ocasião, do que é assunto no momento. Concordo com Tobias quando diz que os jornais menores divulgam sempre assuntos graves e mais tarde é que são divulgados num jornal maior. Não que tudo seja publicado por interesse e de acordo com a ocasião mas, se analisarmos bem, perceberemos que o interesse das pessoas sobre determinado assunto se torna maior quando aquele mesmo assunto é divulgado por mídias maiores e vem sempre como destaque, como a bomba do dia.

O mais assustador é que (já adianto que espero estar muito enganada a respeito disso) quanto maior o veículo de comunicação, maior é o laço entre pessoas que estão no poder e aquelas que possuem o poder de gerenciamento, a voz final num grande veículo de comunicação. Nunca se pode provar nada, nunca podemos afirmar que a TV tal ou o jornal do fulano defende tal partido, tal candidato, e por aí vai. Mas é nítido perceber que existe uma influência muito grande de "poderosos" nisso tudo. É impossível conceber a idéia de que um jornal de veiculação nacional não esteja atento "as notícias veiculadas nos jornais menores. Todos estão antenados, sempre!

Lá pros lados do Maranhão, dizem que o Sarney já fechou dois jornais... algumas pessoas que não são a favor da eleição de Sarney e que são candiatos a deputados naquele mesmo estado, estão conseguindo fazer parceria com pessoas que fornecem trabalho para editar imagens de Sarney no passado para mostrarem ao povo quem é o cara, ou pelo menos mostrarem ao povo o que eles acreditam ser o Sarney. Tem também um partido que, alegando falta de verba para compor uma campanha bacana, aliaram-se a vários profissionais da comunicação, mostrando em seus horários reservados na TV imagens das promessas de Lula antes das últimas eleições, comparando com o que ele não fez até hoje.

Vale discutir a influência não só dos jornais e veículos de comunicação no geral, como é necessária uma reflexão sobre a influência de cada profissional que influencia na opinião pública.

Fico confusa quando tento separar o que é assunto e notícia. Acredito que ambos devem ser divulgados, porque o que deve ser descartado é somente o que não for de informação pública. Todos nós devemos saber sim o que ocorre e, por mais que passemos meses vendo e lendo somente coisas desagradáveis como essa notícia, precisamos saber para tomar alguma decisão.

Caramba, isso é confuso demais! Hahahaha! Olha o tanto que escrevi, nuh!

Como o Tobias, também fico desesperada quando olho para o horizonte e percebo sua amplitude, fico louca da vida quando leio uma mesma notícia publicada em vários lugares, cada um destacando um ponto diferente na mesma história. Isso pode ser visto como uma influência que cada veículo de comunicação defende, e não deveria.
Ser neutro é muito mais do imaginamos. É uma coisa que ainda não atingimos, mesmo os mais sérios veículos de comunicação.
Desculpe o comentário super-ultra-mega-power, mas é que não dá pra parar de escrever sobre essas coisas, por mais que fique confusa.

Abraços!

Telma Reis disse...

PS: só pra lembrar: no próximo comentário não avisarei que vou sintetizar nada, nunca consigo mesmo... affe!

Elizabeth disse...

Se formos reparar bem, a grande imprensa parece que “condensa” as matérias para que sejam mais bem digeridas – veja bem, digeridas, e não compreendidas – de forma a abordar somente um lado da questão, que normalmente é o lado que mais lhe interessa. Muito triste, porque isso deturpa as idéias, omite detalhes importantes para a compreensão dos fatos e expõe apenas um ponto de vista, ignorando que os pequenos e grandes acontecimentos não são feitos por uma pessoa só, e nem testemunhados por um único indivíduo. Sem falar que muitas vezes não há espaço suficiente para todas as informações que surgem, sejam elas de grande repercussão ou banais. Com isso, entendo que o verdadeiro jornalista tem que ir a fundo nos grandes acontecimentos, mas precisa estar atento a outros fatos que, mesmo de aparente pouco valor, ainda assim serve para uma boa matéria, com qualidade e conteúdo.

Lívia Leite disse...

Acho que podemos dizer que essa "carga" de informações e cada uma destacando pontos de vista diferentes se deve à liberdade de imprensa!!!
Sem deixar de falarmos na ética é claro...mas sendo leiga na questão "jornalismo" não posso afirmar realmente que esteja faltando ética!!!

É de fato também bastante interessante o motivo pelo qual mensalões e sanguesseugas serem divulgados somente agora quando da existência antiga de tais práticas... Parece-me também que algo ou alguém esteja por tras do interesse das divulgações!!!

Bom, é isso... Queria apenas deixar minha opinião registrada já que a questão me parece um tanto quanto sem solução...

...Mas é como diz o Prof. André,temos que discutí-las para tentarmos descobrir alguma maneira para que nós ou as gerações futuras as façam!!!

Abraços!!!

Lívia Leite disse...

P.S.: Prof. André, adorei o pedaço da música de Tom Zé que você deixou pra mim no blog!!!

...Agora acho que estou começando a entender... Será mesmo?!?!?
hahahah!!!

Eliane Silveira disse...

Obrigado.

Caio César disse...

Isso acontece porque o jornalismo não é comandado por princípios éticos e sim por interesses financeiros.
Sobre a questão da pauta,todo o jornalista deveria fazer igual a Celi fala: roteirizar as informações e depois distribuí-las de acordo com a importância e mandar pro ar. Jornalismo, não tem que inventar apenas tem que ser correto respeitando do outro lado o seu público correspondente, seja de rádio ou de televisão.

!!Xx_dUdU_Kurimori_xX!! disse...

está okay professor!
Irei providenciar a mudança do blog para que ele fique menos pesado,acho que o problema é aquele efeito espacial.Irei fazer o possível para ler semanalmente o Observatório da imprensa!
Até mais professor!
Abraço!

Renatinha Vendramini disse...

Olá Professor André, como vai?
Bom, eu li o e-mail do Tobias e vou escrever um pouco do que penso a respeito dessa questão.
Concordo com o Tobias, todos nós estamos cansados de saber o que acontece e sempre aconteceu "entre panos" na realidade política. O problema é que isso sempre é divulgado tarde, acho que o receio e a insegurança de soltar certas notícias é tão grande que muitos jornalistas preferem publicar na mídia depois de abafado os casos.
É mais o menos isso professor...

Abraços
Renata

Taty disse...

Muito obrigada por elogiar meu blog André!!!
E quanto ao observatório da imprensa eu estava meioperdida ainda,mais agora vou passar a postar tudo certinho!!!Sem falta...
Bom final de semana!

Telma Reis disse...

Ó eu de novo!
Só pra dar um exemplo mais atual do que o do "dono do partido", vai aí o que saiu na mídia sobre o caso que envolve o PT numa suposta compra de um dossiê com denúncias contra o candidato José Serra. Em depoimento à PF, Gedimar Pereira Passos citou a revista Época. A revista, em nota de esclarecimento, confirmou que foi procurada por Oswaldo Bargas que propunha a divulgação de provas incriminando determinado candidato. O link para mais informações está logo abaixo, no final do meu comentário. A questão, independente de posições e opiniões é a seguinte: Por quê a revista Época, só agora resolveu esclarecer que foi procurada pelo cara? Mesmo após o escândalo, a revista ficou quieta. Apenas quando o nome do veículo foi citado é que eles divulgaram a nota.
Pode ser que, para a revista, não fosse interessante divulgar algo antes de uma investigação mais profunda de sua equipe. Mas alguns dias depois, a IstoÉ começou a soltar a bomba sobre o caso do dossiê. Pesando as razões, o que seria notícia e o que seria assunto?
Bem, o link está logo aí, qualquer coisa é só dar uma olhadinha!
http://studioz.multiply.com/journal/item/730

LeTiXiA*** disse...

OiEEeE!!!
Bom aqui vou tentar articular um problema que fere nós todos futuros jornalista!!
Depois de ter lido "Miséria do jornalista brasilerio", observei o quanto a midia vive a custa dos leitores, que afinal os proprios leitores desviam da realidade, preferem amenizar essas vergonhas que o nosso governo comete pra mostra que temos politicos competentes, digo que fiquei indignada com algumas realidades que nossa profissão aflige, um profissional que parace um tanto importante, mais se não hà jornalistas com caracter ético e profissional como será o jornalismo daqui alguns anos?
Eis nois futuros pra entrar e colocar um caminho que seja ideal...
O problema citado pelo Tobias e horrorizante e concordo plenamente com ele, porque a midia divulgam noticias tão atrasadas e que acabam sendo picadas achando que depois de resolvido e amenizado os entaum problemas acha que pode solta-las?
Bom se a midia vive da opinião do leitor que público alvo será que ela tem a intenção de esconder ou melhor enganar diante de tantos fatos???
Bom André minha visão é essa.
Abraços até a próxima
Letícia Lemos